Os três medicamentos GLP-1 em Portugal
Em Portugal, três medicamentos à base de agonistas do recetor GLP-1 destacam-se no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade: o Ozempic, o Wegovy e o Mounjaro. Embora partilhem um mecanismo de ação semelhante, apresentam diferenças relevantes em termos de princípio ativo, dosagem, indicações aprovadas, eficácia e custo.
Este artigo oferece uma comparação objetiva e atualizada, baseada em dados do INFARMED, da EMA e dos principais ensaios clínicos, para ajudar doentes e profissionais de saúde a compreender as opções disponíveis.
Tabela comparativa resumida
| Característica | Ozempic | Wegovy | Mounjaro |
|---|---|---|---|
| Princípio ativo | Semaglutido | Semaglutido | Tirzepatido |
| Fabricante | Novo Nordisk | Novo Nordisk | Eli Lilly |
| Mecanismo | Agonista GLP-1 | Agonista GLP-1 | Agonista duplo GIP/GLP-1 |
| Indicação aprovada | Diabetes tipo 2 | Obesidade / controlo do peso | Diabetes tipo 2 |
| Dose máxima | 2 mg/semana | 2,4 mg/semana | 15 mg/semana |
| Administração | Injeção subcutânea semanal | Injeção subcutânea semanal | Injeção subcutânea semanal |
| Comparticipação SNS | Sim (diabetes tipo 2) | Não | Sim (diabetes tipo 2) |
| Preço mensal estimado | 130-145 euros (PVP) | 250-310 euros | 130-160 euros (PVP) |
| Disponibilidade em Portugal | Amplamente disponível | Disponibilidade limitada | Disponível |
| Perda de peso média | 5-10% do peso (off-label) | 15-17% do peso | 15-22% do peso |
Diferenças no mecanismo de ação
Semaglutido (Ozempic e Wegovy)
O semaglutido é um agonista seletivo do recetor GLP-1. Mimetiza a hormona intestinal GLP-1, promovendo a secreção de insulina, reduzindo a produção de glucagão, atrasando o esvaziamento gástrico e atuando nos centros cerebrais de controlo do apetite. A diferença entre Ozempic e Wegovy reside essencialmente na dose: o Wegovy é administrado em doses superiores (até 2,4 mg vs. 1-2 mg), otimizadas para a perda de peso.
Tirzepatido (Mounjaro)
O tirzepatido é um agonista duplo, atuando simultaneamente nos recetores GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glucose) e GLP-1. Este duplo mecanismo de ação confere-lhe um perfil terapêutico distinto, com uma eficácia potencialmente superior na redução do peso corporal e no controlo glicémico, conforme demonstrado nos ensaios clínicos SURPASS e SURMOUNT.
Comparação de eficácia
Perda de peso
Os resultados dos principais ensaios clínicos permitem uma comparação da eficácia na perda de peso, embora deva notar-se que comparações diretas entre medicamentos requerem cautela, dado que os estudos foram realizados em populações e contextos diferentes:
- Ozempic (1 mg): Perda de peso média de 4,5 a 6,5 kg (4-6% do peso) em doentes com diabetes tipo 2 (ensaios SUSTAIN)
- Wegovy (2,4 mg): Perda de peso média de 15 a 17% do peso corporal em adultos com obesidade (ensaios STEP)
- Mounjaro (15 mg): Perda de peso média de 20 a 22% do peso corporal em adultos com obesidade (ensaio SURMOUNT-1)
Nota importante: Os resultados individuais podem variar consideravelmente. A eficácia depende de múltiplos fatores, incluindo a dose utilizada, a adesão ao tratamento, a dieta, a atividade física e as características individuais de cada doente.
Controlo glicémico (diabetes tipo 2)
Para o controlo da diabetes tipo 2, tanto o Ozempic como o Mounjaro demonstram excelente eficácia na redução da hemoglobina glicada (HbA1c):
- Ozempic (1 mg): Redução média da HbA1c de 1,5 a 1,8 pontos percentuais
- Mounjaro (15 mg): Redução média da HbA1c de 2,0 a 2,4 pontos percentuais
O Wegovy, embora eficaz no controlo glicémico, não está indicado como tratamento primário para a diabetes tipo 2.
Comparação de preços em Portugal
O custo é um fator determinante na escolha do tratamento. A situação em Portugal é a seguinte:
| Medicamento | PVP mensal | Após comparticipação SNS | Custo anual estimado |
|---|---|---|---|
| Ozempic | 130-145 euros | 30-50 euros (diabetes) | 360-600 euros (com comparticipação) |
| Wegovy | 250-310 euros | 250-310 euros (sem comparticipação) | 3.000-3.720 euros |
| Mounjaro | 130-160 euros | 30-55 euros (diabetes) | 360-660 euros (com comparticipação) |
Efeitos secundários: semelhanças e diferenças
Os três medicamentos partilham um perfil de efeitos secundários predominantemente gastrointestinal. Os efeitos mais comuns incluem náuseas, vómitos, diarreia e obstipação, especialmente durante as primeiras semanas de tratamento e os períodos de aumento de dose.
Algumas diferenças foram observadas nos ensaios clínicos:
- O tirzepatido (Mounjaro) tende a provocar menos náuseas do que o semaglutido em doses equivalentes de eficácia
- A incidência de efeitos gastrointestinais é geralmente proporcional à dose, sendo mais elevada com Wegovy (dose mais alta)
- Todos os três medicamentos apresentam um risco baixo mas real de pancreatite e litíase biliar
Para informações detalhadas sobre os efeitos secundários, consulte o nosso artigo dedicado.
Qual escolher? Critérios de decisão
A escolha entre Ozempic, Wegovy e Mounjaro depende de diversos fatores individuais. Apresentamos algumas orientações gerais, sublinhando que a decisão final cabe sempre ao médico assistente:
Se tem diabetes tipo 2
O Ozempic e o Mounjaro são as opções de primeira linha, dado que ambos estão aprovados para esta indicação e beneficiam de comparticipação pelo SNS. O Mounjaro pode ser preferível se o controlo glicémico e a perda de peso forem ambos objetivos prioritários, dada a sua eficácia ligeiramente superior.
Se o seu objetivo principal é a perda de peso
O Wegovy é a única opção com indicação aprovada para o controlo do peso. No entanto, a ausência de comparticipação e os problemas de abastecimento podem ser limitantes. O Mounjaro, na sua versão para obesidade (Zepbound), poderá vir a representar uma alternativa futura no mercado europeu.
Se o custo é determinante
Para doentes com diabetes tipo 2, o Ozempic e o Mounjaro são significativamente mais acessíveis graças à comparticipação do SNS. O Wegovy, sem comparticipação, representa um investimento mensal muito superior.
O futuro dos GLP-1 em Portugal
O panorama dos tratamentos GLP-1 está em rápida evolução. Alguns desenvolvimentos a seguir com atenção:
- Zepbound (tirzepatido para obesidade): Aprovado nos EUA, a autorização europeia é aguardada, o que poderá oferecer uma alternativa ao Wegovy com potencial eficácia superior.
- Versões orais: A Novo Nordisk está a desenvolver uma formulação oral de semaglutido para o controlo do peso (Rybelsus já existe para a diabetes), que poderá eliminar a necessidade de injeções.
- Possível alargamento da comparticipação: Com o reconhecimento crescente da obesidade como doença crónica, há pressão para que os tratamentos farmacológicos sejam comparticipados pelo SNS.
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