Atualizado em abril de 2026

Ozempic e Wegovy para Adolescentes:
Estudos, Aprovação e Riscos

Resultados dos estudos STEP TEENS, aprovação pela EMA a partir dos 12 anos, posição da DGS portuguesa e riscos específicos na população pediátrica.

Obesidade pediátrica em Portugal: uma realidade preocupante

Portugal apresenta uma das taxas mais elevadas de excesso de peso e obesidade infantil na Europa. Segundo dados recentes da DGS (Direção-Geral da Saúde) e do estudo COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative), cerca de 30% das crianças portuguesas entre os 6 e os 8 anos têm excesso de peso, e aproximadamente 12% são obesas.

Na adolescência, os números são igualmente preocupantes: estima-se que entre 20% e 25% dos adolescentes portugueses entre os 12 e os 17 anos apresentem excesso de peso. A obesidade nesta faixa etária está associada a consequências graves a curto e longo prazo, incluindo diabetes tipo 2 precoce, problemas cardiovasculares, esteatose hepática, problemas ortopédicos e impacto significativo na saúde mental e autoestima.

Aprovação pela EMA: Wegovy para adolescentes 12+

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou a extensão da indicação do Wegovy (semaglutido 2,4 mg semanal) para adolescentes a partir dos 12 anos de idade. Esta aprovação baseia-se nos resultados do ensaio clínico STEP TEENS e marca um momento importante no tratamento farmacológico da obesidade pediátrica na Europa.

Critérios de elegibilidade (conforme RCM aprovado pela EMA)

Ozempic vs Wegovy em adolescentes: O Ozempic (semaglutido até 1 mg) é indicado para a diabetes tipo 2 e não possui aprovação pediátrica. Para o tratamento da obesidade em adolescentes, o medicamento aprovado é o Wegovy (semaglutido 2,4 mg). Consulte a nossa comparação entre Ozempic, Wegovy e Mounjaro para mais detalhes.

Estudo STEP TEENS: resultados detalhados

O ensaio clínico STEP TEENS (Semaglutide Treatment Effect in People with Obesity — TEENS) foi o estudo pivotal que fundamentou a aprovação do Wegovy em adolescentes pela EMA. Publicado no New England Journal of Medicine, os seus resultados foram considerados significativos pela comunidade pediátrica.

Desenho do estudo

Resultados principais

Parâmetro Semaglutido 2,4 mg Placebo
Redução média do IMC Aprox. -16% Aprox. +0,6%
Perda de peso média Aprox. -15 kg Aprox. +2 kg
Adolescentes com ≥ 5% de perda de peso Aprox. 73% Aprox. 18%
Adolescentes com ≥ 10% de perda de peso Aprox. 62% Aprox. 8%
Melhoria dos parâmetros metabólicos Significativa Mínima

O perfil de efeitos secundários foi semelhante ao observado em adultos, com náuseas, vómitos e diarreia como os mais frequentes. Não foram detetados sinais de alarme relativos ao crescimento ou ao desenvolvimento pubertário durante o período do estudo.

Posição da DGS e do SNS em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) reconhece a obesidade pediátrica como uma prioridade de saúde pública em Portugal. No entanto, a abordagem privilegiada continua a ser a prevenção e a intervenção no estilo de vida, reservando a farmacoterapia para casos de obesidade grave que não respondem às medidas conservadoras.

Percurso clínico recomendado em Portugal

  1. Intervenção de primeira linha: Programa estruturado de alteração do estilo de vida durante pelo menos 6-12 meses, incluindo aconselhamento nutricional e plano de atividade física, com envolvimento da família.
  2. Avaliação multidisciplinar: Se as medidas de estilo de vida forem insuficientes, referenciação para uma consulta hospitalar de obesidade pediátrica com equipa multidisciplinar (pediatra, endocrinologista, nutricionista, psicólogo).
  3. Consideração de farmacoterapia: Em casos selecionados de obesidade grave com comorbilidades, a equipa pode considerar o uso de Wegovy como adjuvante, sempre em associação com medidas de estilo de vida.
  4. Seguimento rigoroso: Consultas regulares (mensais nos primeiros 6 meses), monitorização do crescimento, desenvolvimento pubertário e saúde mental.

Riscos específicos nos adolescentes

A utilização de agonistas GLP-1 em adolescentes levanta preocupações adicionais em relação aos adultos, dado que se trata de uma população em fase ativa de crescimento e desenvolvimento:

Preocupações com o crescimento e desenvolvimento

Saúde mental e comportamento alimentar

Alerta para pais e cuidadores: Se o seu adolescente estiver em tratamento com Wegovy, esteja atento a alterações de humor, comportamentos alimentares restritivos, isolamento social ou manifestações de ansiedade ou depressão. Comunique qualquer preocupação ao médico assistente. Os efeitos secundários gastrointestinais são geralmente ligeiros e transitórios.

Posologia em adolescentes

O esquema de titulação do Wegovy em adolescentes é idêntico ao dos adultos, permitindo uma adaptação gradual ao fármaco e minimizando os efeitos gastrointestinais:

  1. Semanas 1-4: 0,25 mg por semana
  2. Semanas 5-8: 0,5 mg por semana
  3. Semanas 9-12: 1 mg por semana
  4. Semanas 13-16: 1,7 mg por semana
  5. A partir da semana 17: 2,4 mg por semana (dose de manutenção)

Para informações detalhadas sobre a técnica de injeção, consulte o nosso guia sobre como injetar semaglutido.

Perguntas frequentes

A partir de que idade pode um adolescente tomar Wegovy?

A EMA aprovou o Wegovy para adolescentes a partir dos 12 anos com obesidade e peso corporal superior a 60 kg, em associação com alterações do estilo de vida e sob supervisão de um especialista.

O Ozempic está aprovado para adolescentes em Portugal?

Não. O Ozempic não possui aprovação pediátrica. Para o tratamento da obesidade em adolescentes, o medicamento aprovado pela EMA é o Wegovy (semaglutido 2,4 mg). A prescrição deve ser feita por um especialista em obesidade pediátrica.

O SNS comparticipa o Wegovy para adolescentes?

Em abril de 2026, a comparticipação do Wegovy para adolescentes não está generalizada. O acesso pode ser possível em contexto hospitalar, devendo ser avaliado caso a caso pela equipa clínica e pela administração hospitalar.

Quais são os riscos específicos dos GLP-1 em adolescentes?

Os riscos incluem efeitos gastrointestinais, potenciais efeitos no crescimento e desenvolvimento pubertário, risco de perturbações do comportamento alimentar e impacto psicológico. É essencial uma vigilância médica e psicológica frequente.